11 maio 26 Lisboa e Vale do Tejo
Arquiteto Filipe Mário Lopes cedeu acervo pessoal à Biblioteca Keil do Amaral
Cedência do acervo do arquiteto Filipe Mário Lopes à Biblioteca Keil do Amaral
O arquiteto e urbanista Filipe Mário Lopes cedeu o seu acervo à Biblioteca da Ordem dos Arquitectos. O acordo de cedência foi assinado no dia 7 de maio.
Filipe Mário Lopes (Armentières, França, em 1933) mudou-se em criança para Lisboa, onde frequentou a escola antecedente do Liceu Francês. Retornou a França para se formar em arquitetura e urbanismo pela École des Beaux Arts de Paris e Institut d´Urbanisme de Paris (Sorbonne). De volta a Lisboa, trabalhou no Gabinete do Plano da Região de Lisboa, na Direção Geral de Urbanização (dinamizou um grupo de estudo de Planeamento) e na Câmara de Lisboa, cidade à qual se dedicou por mais de trinta anos.
Foi, sucessivamente, chefe da repartição do PDM, conseguindo a sua aprovação em 1974; diretor do departamento de Urbanismo da EPUL, empresa criada por sugestão sua para contornar a prática especulativa sobre terrenos rurais da Câmara e poder construir habitação acessível; vice-presidente na comissão administrativa que orientou a gestão da cidade, responsável pelos pelouros de Habitação, Urbanismo, Espaços Verdes, Transportes e Saneamento; nos últimos dez anos de atividade, foi diretor municipal da Reabilitação Urbana, que organizou e dirigiu tecendo as linhas inovadoras de uma gestão descentralizada e integrada.
Sob a sua orientação técnica foram reabilitadas cerca de oito mil habitações nos bairros históricos. A sua ação foi reconhecida fora de portas, nomeadamente no departamento da cultura do Conselho da Europa, que promoveu o trabalho “Debate de Lisboa: a reabilitação da habitação nos centros e bairros antigos como fator de coesão social e de desenvolvimento económico durável”.
Outra luta teve a ver com o valor patrimonial do edificado e o respeito pelas pré-existências e uso de técnicas e materiais de origem, como ficou expresso na organização do 1.º Encontro Luso-Brasileiro de Reabilitação Urbana, em que foi aprovada por unanimidade a Carta de Lisboa. Criou a associação Ofícios do Património e da Reabilitação Urbana, de consciencialização para a importância do património, caso emblemático do Aqueduto das Águas Livres quando foi ameaçado de um corte de mais de 200 metros pela CRIL.
Dois eixos estruturam a sua atividade ao longo do tempo: Planeamento e Reabilitação, assentes numa intenção de territorialidade sempre presente.
No Planeamento, foi inovador na abordagem, que passou de multidisciplinar a interdisciplinar; na Reabilitação Urbana desenvolveu e aplicou à realidade dos bairros o conceito de transdisciplinariedade, levando as equipas no terreno a integrar a intervenção da população, que trazia o conhecimento das suas necessidades.
A integração das variáveis ambientais, sociais, económicas e culturais, através dos conhecimentos e usos preexistentes no território, foi uma constante da sua muito desenvolvida cultura humanística.
(Texto de Bárbara Lopes, com adaptação para site OASRLVT)
Uma palavra final de profundo agradecimento à arquiteta Teresa Duarte e ao sociólogo Joaquim Mendonça Dias, cujo dedicado trabalho de inventariação tornou possível concluir este longo e importante processo de cedência.