26 junho 26 Lisboa e Vale do Tejo
Comunicado | Solidariedade com a Venezuela e um alerta sobre a resiliência sísmica das infraestruturas em Lisboa e Vale do Tejo
A Direcção da Secção Regional de Lisboa e Vale do Tejo da Ordem dos Arquitectos manifesta a sua mais sentida solidariedade para com o povo venezuelano, perante a catástrofe provocada pelos sismos de 24 de Junho de 2026 que atingiram o país.
À data de hoje, contam-se já centenas de mortos e vários milhares de feridos, num cenário agravado pelo colapso de edifícios e pela enorme pressão sobre os serviços de emergência e, em especial, sobre o sistema hospitalar. À comunidade venezuelana, às famílias enlutadas e a todos quantos perderam as suas casas e meios de vida, endereçamos a expressão da nossa profunda consternação e do nosso apoio.
Esta tragédia constitui também, para todos nós, um motivo de reflexão e um alerta que não podemos ignorar. Lisboa e Vale do Tejo é um território de risco sísmico significativo, com memória histórica que o demonstra de forma incontornável. A Secção Regional participa activamente, em representação da Ordem dos Arquitectos, no Conselho Técnico-Científico do Programa RESIST da Câmara Municipal de Lisboa, em conjunto com diversas entidades, num trabalho continuado de promoção da resiliência sísmica do edificado e de informação aos cidadãos.
É precisamente nessa qualidade, e em nome das preocupações partilhadas pelos arquitectos, que esta Direcção apela à tutela e às entidades públicas competentes para que atentem, com a seriedade e a urgência que a matéria exige, à necessidade de prever e reforçar os equipamentos e as infraestruturas fundamentais ao funcionamento da sociedade.
A experiência internacional demonstra, repetidamente, que a maior parte das perdas humanas em sismos não decorre do próprio abalo, mas do colapso de construções que poderiam ter sido reforçadas. A prevenção, o reforço estrutural do edificado existente e a exigência de qualidade no projecto e na construção são, por isso, investimentos em vidas humanas. Os arquitectos, a quem cabe um papel determinante na concepção do espaço construído, reafirmam a sua disponibilidade e o seu compromisso para com este desígnio colectivo.
No respeito pela dor da Venezuela, nos sirva de advertência e de estímulo à acção. Não podemos esperar pela catástrofe para fazer aquilo que sabemos hoje ser necessário.
A Direcção da OA-SRLVT
Lisboa, 26 de Junho de 2026