Azulejaria

A origem da palavra azulejo, erradamente associada ao termo azul, surge do árabe (al zuléija, al zulaiju ou al zulaycha) e teria como significado “pequena pedra polida” ou “ladrilho”. Terá sido formada nos centros cerâmicos de origem muçulmana, na Andaluzia, e adotada pela língua castelhana, chegando a Portugal no século XV, com as primeiras importações de Azulejaria. 

Pode então considerar-se que a Azulejaria, como ofício praticado por azulejadores, foi estabelecida em Portugal a partir do séc. XVI, com a abertura de oficinas de olaria. A utilização do azulejo ganha cada vez mais destaque e, a partir do séc. XIX, começam a ser revestidas a azulejo fachadas de igrejas, palácios e outros edifícios de destaque, em pleno diálogo com a Arquitectura e com a cidade. A partir do séc. XX, a sua utilização generalizou-se quer nas paredes da cidade, quer nos interiores das habitações correntes.

O azulejo consiste numa placa de barro (argila) cozida, vidrada numa das faces e ornamentada com relevo ou cor. Em função do destino final do azulejo, pode adequar-se a sua forma, espessura e dimensão. O barro que lhe serve de base, uma pasta obtida pela junção de argila selecionada e purificada com água, pode variar na sua cor e plasticidade. Após ser moldado, geralmente em moldes quadrados, pode ser trabalhado na sua face, de modo a apresentar relevos, e deve executar-se um estriado no seu tardoz para reforçar a aderência da peça à argamassa de fixação, aquando da aplicação do azulejo.

O fabrico manual de azulejos tem várias fases: o corte do barro com um fio, da porção suficiente para preencher o molde; a preparação do molde e moldagem com pó de cortiça ou outro material antiaderente, é preenchido o fundo do molde, de seguida o barro é colocado dentro do molde, preenchendo todo o seu volume. Deve sempre retirar-se o excesso de barro e voltar a regularizar a superfície; a desenformagem levantando o molde para fazê-lo colidir levemente com a bancada; a secagem do barro ao ar, antes da sua cozedura; a cozedura em fornos próprios — muflas — que atingem temperaturas de cerca de 1000ºC; o banho de vidro das peças cozidas com uma solução aquosa de sílica que, quando seca e cozida, produz uma superfície vidrada. Deve retirar-se os excessos das faces tardoz e laterais; a marcação de imagem e pintura depois de seca e cozida a superfície vidrada, é transferida a imagem desejada para o azulejo, geralmente utilizando papel vegetal picotado. Segue-se a pintura, uma tarefa delicada e para a qual se utilizam óxidos, carbonatos ou cromatos de vários metais; e a cozedura final do vidrado impregnado pelas tintas que fica finalizado na segunda cozedura do azulejo, revelando as cores finais da peça.

Após cozedura, banho de vidrado, coloração, nova cozedura e acabamentos, o azulejo pode ser aplicado tanto no exterior como no interior, em revestimentos de fachadas, pavimentos, socos ou painéis ornamentais. O azulejo pode apresentar-se como uma peça de um padrão repetitivo e potencialmente infinito, mais ou menos complexo, onde os azulejos são todos iguais e graças à sua rotação, geram o referido padrão. No entanto, pode também ser parte integrante de um painel ilustrativo finito, composto por um conjunto de azulejos todos diferentes e que se completam.

O azulejo consiste numa placa de barro (argila) cozida, vidrada numa das faces e ornamentada com relevo ou cor.

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A moldagem do azulejo pode ser feita de duas formas: preenchendo manualmente um molde ou fazendo uso de uma prensa mecânica. Esta segunda opção é mais rápida e assegura uma espessura igual em toda a superfície da peça.

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Dependendo da função do azulejo — pavimento, revestimento de parede, etc. — acerta-se a espessura da peça fazendo passar um fio horizontal para cortar o barro.

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As peças, depois de uma primeira cozedura, são banhadas com uma solução aquosa com sílica, que quando seca produz uma superfície branca homogénea.

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Deve retirar-se os excessos da face tardoz e laterais.

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Fazendo uso de pigmentos à base de óxidos metálicos, é executado o desenho e composição gráfica do azulejo. As soluções aquosas para pigmentação ficam impregnadas na camada de sílica. As cores manifestadas nesta fase são geralmente acastanhadas e baças.

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Só depois da segunda cozedura são reveladas as cores reais do motivo desenhado e a superfície ganha a textura vidrada característica do azulejo. Por vezes, e especialmente em restauro de azulejos, são necessários vários testes de cor até à obtenção da tonalidade desejada.

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O restauro de azulejos exige uma pesquisa cuidadosa de reprodução do motivo e das cores existentes no painel a que as peças pertencem.

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A transcrição do desenho de base é geralmente feita através da técnica de picotado, com papel vegetal. Em seguida, o papel picotado é colocado sobre o novo azulejo e, com uma boneca de carvão, marcam-se pontos de referência do motivo.

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Os pontos do picotado permitem orientar o gesto no processo de coloração do azulejo.

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