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6 junho 26 Norte

"Como vamos viver daqui a 20 anos?": arquitetos e gerontóloga discutem o futuro da habitação

No passado dia 20 de maio, a Secção Regional Norte encerrou o ciclo "Habitar: Entre o Projeto e a Vida" com uma mesa-redonda sobre o futuro da habitação. Moderada pela Arq.ª Adriana Floret, Vice-Presidente do Conselho Diretivo Regional Norte da Ordem dos Arquitectos, a conversa juntou o Arq.º Pedro Baganha (ex-vereador da Habitação e Urbanismo na Câmara Municipal do Porto), Arq.º Alexandre Arieira Silva (da Comissão Técnica de Habitação da Ordem dos Arquitectos) e a Dr.ª Bárbara Cordeiro (gerontóloga na COOPERAhab).

Mais sobre o Ciclo de Mesas-redondas Habitar. entre o Projeto e a Vida aqui.

A sessão completa está disponível no Youtube da Secção Regional Norte, aqui.

Esta sessão integra o programa paralelo da exposição Wide Angle View — A Arquitetura como Espaço Social na série Manplan 1969–70, organizada pela Ordem dos Arquitectos Secção Regional Norte em colaboração com o Royal Institute of British Architects (RIBA), a Cityscopio Associação Cultural e o CENP/FAUP, com o apoio da Câmara Municipal do Porto, Ageas Seguros e Tintas CIN.

Fotografias de Egídio Santos.

Pedro Baganha começou por desdramatizar a pergunta central do painel: como a maior parte do parque habitacional que existe hoje continuará a existir daqui a 20 anos, e os comportamentos humanos mudam muito mais devagar do que a tecnologia, não é de esperar uma rutura radical na forma como se vive. Identificou como tendências relevantes: o envelhecimento demográfico, a imigração, o impacto crescente da inteligência artificial na relação com o tempo de trabalho — aprofundando a hibridização entre casa e local de trabalho — e a globalização do gosto doméstico, com apartamentos cada vez mais parecidos entre cidades diferentes.

Bárbara Cordeiro trouxe ao debate a perspetiva da habitação colaborativa, explicando que o cohousing ainda não existe em Portugal em funcionamento, embora já haja grupos a organizar-se nesse sentido. Relacionou o tema com a evolução demográfica — quase um quarto da população tem mais de 65 anos, com projeções a apontar para um terço em 2050 — defendendo que a habitação deve ser pensada em conjunto com toda a envolvente urbana (transportes, comércio de proximidade, serviços de saúde) e não apenas como um edifício isolado.

Alexandre Arieira Silva partilhou a experiência de trabalho em planos de reconstrução em Antáquia, na Turquia, após o terramoto de 2023. Descreveu um modelo em que a infraestrutura pública é planeada antes da habitação, permitindo que os bairros se desenvolvam de forma mais estruturada, e traçou um paralelo com o planeamento urbano histórico português. Destacou também a importância de cuidar do espaço público em torno das casas — passeios, bancos, acessibilidade — como parte essencial de uma boa resposta habitacional.

O painel discutiu ainda o papel do mercado de arrendamento em Portugal, considerado por todos os oradores pouco desenvolvido, e a necessidade de diversificar as respostas habitacionais, incluindo modelos cooperativos e comunitários. Defenderam mais planeamento estratégico de longo prazo e maior investimento público em habitação acessível.

Questionados sobre o que mudariam nas cidades portuguesas na próxima década, os oradores convergiram na ideia de cidades organizadas segundo a lógica dos 15 minutos — com serviços de proximidade e boa mobilidade — e no reforço do sentido de comunidade.

No debate com o público, com intervenções dos arquitetos César Costa, Susana Hermenegildo, Bruno Marques e Sara Lia Brysch, da COOPERAhab, clarificou-se a diferença entre coliving — uma solução de mercado, com lógica de subscrição e alojamento temporário — e cohousing, um modelo cooperativo que procura efetivamente construir comunidade e sentido de pertença.

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