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16 julho 26 Norte

A Foz Velha em debate - Projeto internacional lançado no Porto

No passado dia 9 de julho, na sede da Secção Regional Norte da OA, debateu-se o futuro de um dos núcleos históricos mais emblemáticos do Porto. A sessão pública sob o mote "Que Futuro para a Foz Velha?", assinalou o lançamento oficial do projeto internacional AMA Foz Velha, juntando representantes da administração pública, da academia e da sociedade civil.

Na abertura da sessão, Bruno Marques, Presidente do Conselho Diretivo Regional Norte da Ordem dos Arquitectos, começou por sublinhar que a Foz Velha é um território que "só se compreende escutando quem o vive", descrevendo-a como um lugar onde "a arquitetura, a paisagem, o rio, o mar, a memória, a vida quotidiana e as pessoas se entrelaçam de uma forma única".

Bruno Marques alertou ainda para o paradoxo que hoje se coloca aos territórios históricos: nunca houve tanto conhecimento acumulado sobre património, mas nunca estes territórios enfrentaram transformações tão rápidas, pressionados pela habitação, pelo turismo, pelas alterações climáticas, pela mobilidade e pela evolução demográfica. 

 

Um projeto de investigação e cooperação internacional

O AMA Foz Velha é um projeto internacional de investigação e cooperação que reúne a Ordem dos Arquitectos Secção Regional Norte, a Associação de Moradores e Amigos da Foz Velha e seis instituições de ensino superior com cursos de Arquitetura: a Escola Superior Artística do Porto (ESAP), a Faculdade de Arquitetura da Universidade do Porto (FAUP), a Universidade Fernando Pessoa, a Universidade Lusíada do Porto, a Universidade Lusófona do Porto e a Universidade Portucalense Infante D. Henrique.

Assente numa abordagem interdisciplinar, o projeto tem como objetivo promover o conhecimento, a valorização e a reflexão sobre o futuro da Foz Velha, articulando investigação académica, prática profissional, administração pública e participação da comunidade.

A parceria integra-se no âmbito do Norte 41º – Centro de Arquitetura, Criatividade e Sustentabilidade, integrado na orgânica da Secção Regional Norte da OA, que promove projetos de investigação, formação, divulgação e debate em torno de temas emergentes na prática profissional, estabelecendo redes de cooperação nacionais e internacionais e contribuindo ativamente para a reflexão sobre a regeneração urbana sustentável.

 

Um percurso até 2027

O lançamento público realizado a 9 de julho é apenas o primeiro passo de um percurso que se prolongará até 2027. Nos próximos meses, as seis instituições de ensino superior parceiras desenvolverão trabalhos de investigação sobre a Foz Velha e o seu território, envolvendo docentes, investigadores e estudantes, num processo que procurará também escutar diretamente a comunidade local.

Paralelamente, será promovido um ciclo de seminários científicos internacionais, em formato online e de acesso livre, criando um espaço de reflexão entre especialistas nacionais e internacionais, profissionais, instituições e cidadãos. O percurso deverá culminar num Workshop Internacional, onde serão discutidas e aprofundadas as propostas das diferentes equipas, seguido da publicação científica dos resultados e da realização de um Congresso Internacional, destinado a partilhar o conhecimento produzido e a projetar novas linhas de investigação e intervenção.

 

Debate

O momento central da sessão teve a forma de debate moderado por Bruno Marques, com a intervenções de Fernando Braga Matos, presidente da Associação de Moradores e Amigos da Foz Velha, e de Cláudia Montenegro Soares, diretora do Departamento Municipal de Planeamento Urbano da Câmara Municipal do Porto, além de representantes das seis instituições de ensino superior parceiras: António Barbosa (ESAP), Teresa Cálix (FAUP), Luís Pinto de Faria (Universidade Fernando Pessoa), Miguel Malheiro (Universidade Lusíada do Porto), Lígia Nunes (Universidade Lusófona do Porto) e Joaquim Flores (Universidade Portucalense).

O painel promoveu o diálogo sobre os desafios e as oportunidades que se colocam a este núcleo histórico da cidade, passando pelo olhar do território, da academia e da participação pública. Intervieram neste momento de debate os arquitetos Diogo Castelo Branco, Carlos Prata, José Pedro Torres, Miguel Geraldo, e Francisco Sousa Rio.

A sessão terminou com um Porto de Honra, momento informal de convívio que permitiu prolongar a troca de ideias entre participantes e público.

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